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ENTENDA SEU PERFECCIONISMO E COMO LIDAR COM ELE

Apesar da falta de consenso sobre uma definição do que é perfeccionismo, diversos autores tem estudado esse fenômeno e tentado descrevê-lo. Confira nesse artigo dois modelos que podem te ajudar a entender melhor o seu perfeccionismo.


Hewitt e Flett propuseram uma visão multidimensional do perfeccionismo que inclui três dimensões: perfeccionismo auto-orientado (PAO); perfeccionismo orientado para os outros (POO); e o perfeccionismo socialmente prescrito (PSP).


O perfeccionismo socialmente prescrito (PSP) é o que parece estar mais correlacionado com uma grande variedade de problemas psicológicos.

Confira abaixo a explicação de cada uma dessas dimensões.


Os tipos de perfeccionistas


Perfeccionismo auto-orientado

Refere-se à tendência para estabelecer normas rigorosas e padrões de desempenho excessivos e exigentes, muito elevados e muitas vezes impossíveis de cumprir para si mesmo. Assim, este tipo de perfeccionismo inclui um comportamento de procura por perfeição e evitamento do insucesso.


Perfeccionismo orientado para os outros

Envolve as crenças e expectativas relativas às capacidades das outras pessoas, para as quais o sujeito estabelece normas irrealistas, exigindo que cumpram os padrões elevados que o próprio sustenta. Este tipo de perfeccionismo consiste numa tendência em exigir a perfeição dos outros e lida de forma punitiva e hostil com estas pessoas.


Perfeccionismo socialmente prescrito

Relaciona-se com a crença de que os outros têm expectativas sobre o sujeito, além disso o avaliam de forma exigente e exercem pressão para que seja perfeito. O sujeito acredita que se não corresponder a essas expectativas e padrões impostos pelos outros poderá não obter a aprovação deles. Assim, são muito propensos à comparação social, ao mesmo tempo, são extremamente vulneráveis à ansiedade social, tendo uma visão dos outros como juízes sempre atentos a possíveis erros e tecendo críticas sobre as suas ações.


Além disso, há um modelo que tem crescido com o apoio de pesquisas científicas. Ele diferencia quatro subtipos de perfeccionistas caracterizados por diferentes níveis de coexistência do Perfeccionismo de Esforços Pessoais (PEP) e do Perfeccionismo de Avaliação de Preocupações (PAP). Podemos descrevê-los como:

  1. Perfeccionistas com puro perfeccionismo de esforços pessoais (PEP): Indivíduos que possuem padrões que derivam unicamente de si, tendo por isso, altos níveis de esforços pessoais em atingir esses padrões e baixos níveis de preocupações relacionados a estes;

  2. Perfeccionistas com puro perfeccionismo de avaliação de preocupações (PAP): Estes indivíduos perseguem padrões perfeccionistas em decorrência da percepção da pressão externa, sem valorização ou internalização desses padrões, apresentando, desta forma, altos níveis de preocupações perfeccionistas e baixos níveis de esforços pessoais.

  3. Perfeccionistas mistos: Pessoas que apresentam tanto elevados padrões de esforços perfeccionistas, como altos valores de avaliação de preocupações.

  4. Não perfeccionistas: Pessoas com baixos níveis tanto de esforços como de preocupações perfeccionistas.

Como lidar com o perfeccionismo

  1. Observe-se baseado nas descrições acima. Você consegue identificar suas características? Como você se descreveria?

  2. Observe e questione seus comportamentos e pensamentos quando se perceber "travada" em uma atividade por perfeccionismo. Algumas perguntas que podem te ajudar são: O quão isso é relevante para mim? O que significa não fazer isso de forma "perfeita"? O que acho que está em jogo? Esses pensamentos são 100% verdadeiros? Quais serão as consequências disso a longo prazo? O que você está deixando para trás ou negligenciando?

  3. Fortaleça a sua tolerância à incerteza e reveja sua necessidade de controle. Para um bom funcionamento e adaptação, é necessário aprender a viver com um certo grau de incerteza face a fatores que estão fora do seu controle.

  4. Busque ajuda profissional. Você não precisa passar por isso sozinha! O processo de psicoterapia pode te ajudar. Você irá aprender a identificar e nomear sentimentos e emoções, a observar e questionar seus pensamentos, a definir ações significativas para você e a colocar em prática suas ações. Não deixe o perfeccionismo te paralisar! Agende agora sua sessão.


Escrito por:

Beatriz Zanetti (CRP - 01/19319) - Psicóloga pela Universidade de Brasília e Mestre em Educação para Carreira pela Universidade Livre de Bruxelas. Dedica-se a auxiliar quem vive transições de vida e carreira, na busca por felicidade, presença e equilíbrio, no Brasil ou no exterior. Atendimentos em português e inglês

Stephanie Marques - Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário IESB. Entusiasmada em aprender sobre o ser humano e o mundo, vê a escrita e a leitura como formas de disseminar o conhecimento.

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