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Você está pronta para mudar de carreira? A adaptabilidade frente às transições de carreira

Este artigo oferece insights valiosos para enfrentar as incertezas do cenário profissional atual e construir uma carreira significativa. Nele te convidamos a explorar a dinâmica atual do mundo do trabalho, enfatizando a importância da adaptabilidade de carreira. Leia, faça o teste e descubra se tem as competências que precisa para desenvolver e gerir sua carreira em meio às transições.

A humanidade tentou por anos prever o futuro através dos astros, deuses e sonhos. Em outras épocas, as mudanças não eram tão rápidas e imprevisíveis, e as pessoas tinham condições de se imaginarem no futuro. Acontece, que hoje em dia, vivemos em uma sociedade de risco, onde a capacidade de se prever o futuro com uma certa precisão não é mais possível como foi em outras épocas. Assim, antes o desafio era escolher a carreira certa para determinado perfil de pessoa, pois o cenário de mercado estava dado. Agora, o desafio é orientar as pessoas às mudanças e para aproveitarem as oportunidades que se apresentam, em um ciclo de construir e reconstruir sentidos de si e da carreira ao longo da vida.

Tecnologia, mudanças na sociedade e mudar de carreira

Para nos ambientarmos por onde andam nossos tempos em relação a mercado e carreira, os termos VUCA e BANI são utilizados para descrever diferentes cenários e contextos em ambientes de negócios, estratégia e liderança.


Ambos nos levam a compreender melhor o contexto de trabalho atual. Vamos entender o significado de cada um deles:

VUCA: "VUCA" é um acrônimo em inglês que representa quatro características-chave de um ambiente volátil, incerto, complexo e ambíguo. Essa sigla foi criada para descrever o mundo em constante mudança, especialmente após eventos como o colapso da União Soviética e a Guerra do Golfo, mas tem sido amplamente aplicada para descrever a natureza dinâmica e imprevisível dos negócios e da sociedade em geral.

  • Volatilidade (Volatility): Refere-se à natureza e velocidade das mudanças e flutuações em um determinado ambiente.

  • Incerteza (Uncertainty): Representa a falta de previsibilidade e a dificuldade em fazer projeções precisas sobre o futuro.

  • Complexidade (Complexity): Refere-se à multiplicidade de fatores e interações que tornam difícil compreender completamente uma situação.

  • Ambiguidade (Ambiguity): Descreve a existência de múltiplas interpretações e a falta de clareza em relação a eventos e informações.

BANI: "BANI" é outro acrônimo em inglês, criado por Esko Kilpi, que também descreve características do ambiente de negócios, mas em um contexto mais específico e atual. Ele surgiu como uma resposta ao conceito VUCA e destaca algumas mudanças e desafios adicionais que se tornaram evidentes após o avanço tecnológico e a globalização.

  • Brittle (Frágil): Refere-se à tendência de sistemas e estruturas se tornarem mais frágeis à medida que a complexidade aumenta e os ciclos de vida se encurtam.

  • Anxious (Ansioso): Descreve a ansiedade que pode surgir em indivíduos e organizações quando confrontados com incertezas e ambiguidades.

  • Non-linear (Não-linear): Representa a natureza não-linear das mudanças, onde pequenos eventos podem levar a consequências significativas e imprevisíveis.

  • Incomprehensible (Incompreensível): Refere-se à crescente dificuldade de compreender e acompanhar as complexidades do mundo moderno.

A tecnologia, as mudanças nas relações e no mercado trouxeram novas necessidades, e tanto as pessoas como as empresas têm que se adaptar. Hoje na realidade do mundo VUCA ou BANI, não se pode deixar de lado os aspectos sociais, fatores ambientais, culturais, tecnológicos, socioeconômicos e as vivências individuais de aprendizados de cada sujeito, quando o assunto é carreira.

Como falado anteriormente, hoje, não há padrão linear para o desenvolvimento de carreira. No passado, a relação do indivíduo com o trabalho era mais estável e previsível já que o contexto social e organizacional não mudava rapidamente e as carreiras eram constituídas majoritariamente dentro dos limites organizacionais. Nesse novo cenário, as carreiras podem adotar novas configurações e sentidos. Como por exemplo, trabalhar simultaneamente em diferentes organizações e locais (carreira sem fronteiras) ou atuar em diferentes áreas (carreira portfólio).

Há também os novos formatos de trabalho adotados principalmente após a pandemia da COVID-19, como o trabalho remoto, o qual fornece uma imensa liberdade de deslocamento e local de residência ao profissional, o trabalho híbrido que mescla o trabalho em casa e no escritório, o coworking que serve de espaço coletivo para diferentes profissionais autônomos ou não trabalharem em conjunto compartilhando recursos e ideias, entre outros. Essas novas configurações são desafiadoras!

“O indivíduo deve ser capaz de se adaptar periodicamente às transições, autogerir sua carreira, buscando por meio do seu poder de agência pessoal e da sua rede social criar oportunidades e construir novos sentidos subjetivos para suas experiências profissionais.”

Atualmente, o conceito de carreira engloba todas as experiências de aprendizado e trabalho ao longo da vida, sejam elas remuneradas ou não. Assim, escolhas profissionais passam a ser tratadas como produto de uma série de pequenas decisões, no lugar de uma decisão única e imutável. Inclusive, pesquisas mostram que as gerações atuais passarão por em média 7 transições de carreira ao longo da vida. Dessa forma, as teorias que tratam sobre as mudanças de carreira hoje, são concebidas como um processo de construção contínua da realidade profissional, constituído pelas concepções de como o sujeito se vê no momento em seu meio, bem como de seus objetivos.

Logo, o sujeito deve passar por processos de reflexão, investigando-se em seus diferentes papéis, não só no contexto de trabalho, mas em seu contexto social e familiar, buscando alternativas de ação que devem ser revistas constantemente, garantindo a adaptabilidade do indivíduo frente às inúmeras transições que caracterizam o mundo do trabalho atual.

Adaptabilidade de carreira

É impossível falar de carreira sem falar de "adaptabilidade de carreira". Um conceito chave que contribui para toda essa discussão. Basicamente ele se refere a como e quanto de recursos um indivíduo está disposto e apto a investir para enfrentar os desafios ao longo de sua trajetória profissional.

A adaptabilidade de carreira representa um processo psicossocial que denota a prontidão e os recursos do sujeito para lidar com as tarefas atuais e iminentes de desenvolvimento de carreira, transições ocupacionais e traumas pessoais (Amabiel, 2014).

Assim, a carreira profissional, os papéis sociais, os autoconceitos individuais e o contexto social andam entrelaçados. A carreira, ao passar do tempo, ganhou uma cara mais individualizada e contextualizada. Hoje, considera- se que as escolhas profissionais não definem a pessoa por completo, são apenas um dos aspectos que compõem a carreira, diante de uma série de mudanças do sujeito. Atualmente, não se vive mais o modelo enrijecido, as escolhas podem mudar à medida que o sujeito se sente instigado tanto pelo meio quanto pelos seus objetivos e anseios. Vai depender muito de como a pessoa se adapta. As tão faladas "career adaptability skills" ou habilidades de adaptação de carreira que ajudam os indivíduos a se adaptarem a mudanças, abraçarem novas oportunidades e gerenciarem proativamente suas carreiras.

A adaptabilidade de carreira é representada por quatro dimensões que podem auxiliar o indivíduo a entender e lidar de forma assertiva com determinadas circunstâncias da sua carreira.

As dimensões da adaptabilidade de carreira são: Preocupação (concern), Controle (control), Curiosidade (curiosity) e Confiança (confidence), conhecidos na literatura internacional por “4c’s”
  1. Preocupação refere-se às atitudes de planejamento, antecipação e preparação acerca da inquietação quanto ao próprio futuro vocacional.

  2. Controle diz respeito ao quanto o indivíduo sente-se responsável e ativo na construção da própria carreira, por meio de uma postura assertiva ao fazer escolhas e determinando a direção que sua carreira irá seguir.

  3. Curiosidade remete ao autoconhecimento e ao conhecimento sobre o mundo do trabalho, além disso, acarreta disposição para o engajamento em novas atividades de trabalho, fazer descobertas e buscar aprendizados.

  4. Confiança refere-se à convicção que o indivíduo possui em relação à carreira. Essa competência sugere o quanto o indivíduo se sente eficaz para empregar os esforços necessários a fim de atingir seus objetivos, mesmo quando se depara com dificuldades.

Assim, compreende-se que indivíduos com altos níveis de adaptabilidade de carreira apresentam mais recursos e competências que os permitirão resolver com sucesso as situações que envolvem transições e experiências passadas. O propósito da adaptabilidade é o nivelamento das necessidades pessoais do trabalhador com as cobranças e oportunidades que o contexto laboral oferece. Bons níveis de adaptabilidade de carreira podem indicar que o trabalhador tende a ter mais satisfação, comprometimento, desenvolvimento e sucesso em seu trabalho.

Um grupo de pesquisadores de diferentes lugares do mundo desenvolveu junto uma escala para avaliar a adaptabilidade de carreira a "Career Adapt-Abilities Scale (CAAS)". Estudos apontam que a CAAS é capaz de avaliar as quatro dimensões que foram propostas teoricamente, com propriedades psicométricas adequadas. Aqui fica o convite para você testar suas Competências de Adaptabilidade de Carreira é só acessar a área exclusiva gratuitamente e preencher o questionário.

A empregabilidade no mundo 4.0 - você no comando!

Mudar gera incômodos e incertezas, mas geralmente a mudança acontece porque algo não está bom e é passível de melhora. A mudança ocorre quando o indivíduo, a comunidade e uma organização faz a transição de um estado atual para um estado futuro desejado. Ela acontece quando estamos insatisfeitos com algo, quando algum evento inesperado nos atinge ou quando surge uma melhor oportunidade.

Há toda uma preparação para ocorrer a mudança. Segundo Kurt Lewin, primeiramente, garantimos que haja todos os recursos e ferramentas para executá-la. Após realizada, tentamos manter a todo custo para que esta mudança permaneça, uma espécie de congelamento do estado em que nos encontramos. Lidamos com forças que restringem e impulsionam a mudança o tempo todo. Estar em meio a esse embate pode gerar estresse. Principalmente quando não se sabe ao certo o porquê estamos encarando essa mudança, ou se realmente a queremos.

Muitas dessas mudanças são promovidas pelo avanço da tecnologia. Hoje, o que para nós era ficção científica vista nos cinemas, já faz parte da realidade! A Revolução 4.0 modificou diversas áreas da sociedade: robôs, aplicativos e inteligência artificial entraram em cena para aproximar pessoas, otimizar serviços, armazenar informações, entre outras atividades. O impacto é colossal, inclusive no mundo do trabalho. Muitas profissões estão sendo extintas, outras estão surgindo, as demandas não são mais as mesmas, esperam-se outras competências do profissional do futuro que já é agora.


O sentimento é de insegurança, tanto para quem já está inserido no mercado de trabalho, quanto para quem está chegando, pois o mundo 4.0 exige constantes atualizações e investimentos por parte do profissional em sua carreira. Como garantir a empregabilidade e ser o protagonista do futuro que sofre alterações a todo instante? Pesquisas apontam que o caminho é você se tornar um especialista de si mesmo. Aí entra o famoso autoconhecimento, algo como se fosse uma bússola interna que mostrará um sentido no meio disso tudo. Mas para essa bússola funcionar, você precisará se esforçar, quebrar alguns paradigmas, e não se deixar levar pelo movimento do mercado. Pelo contrário, você deverá se posicionar nele de maneira estratégica.

O que não faltam no mercado são opções tentadoras, rápidas e mais fáceis de empregabilidade. Surfar nessa onda, investir seu tempo e dinheiro em escolhas que não são compatíveis com suas competências, nem com seu propósito, apesar de tentadoras, com o tempo são percebidas como escolhas erradas. Pois, apesar de terem sido escolhas próprias, você desconsiderou sua história, suas formações acadêmicas, experiências de vida, suas habilidades, o que você faz de melhor, o que você sente prazer em fazer, muito menos parou para pensar qual o seu propósito. Sim, não é simples reconhecer tudo isso, principalmente quando a "água bate na bunda", por isso, mais do que nunca o grande investimento deve ser em você!

Talvez você precisará de ajuda de um psicólogo (a), de algumas leituras, e muito provavelmente precisará experimentar. Que tal começar respondendo essas perguntas, vamos lá?

  1. Qual é o seu lugar nesse novo mundo do trabalho?

  2. O que você tem de único que pode gerar valor para o mundo 4.0?

  3. Como seu propósito vai garantir o seu papel nesse cenário?

Por falar em propósito, a Netflix lançou uma série documental narrada por Barack Obama que se propõe a investigar o significado do trabalho e a conexão humana.

A série intitulada "Trabalho" e inspirada no livro "Working" de Studs Terkel entrevista e acompanha trabalhadores de diferentes áreas e posições hierárquicas a fim de investigar as diferentes formas de se encontrar propósito no trabalho e como de certa maneira nossas experiências e lutas nos conectam como seres humanos. Vale muito a pena assistir a série e refletir sobre o que nos dá satisfação e alegria em nossas carreiras bem como o que nos conecta com as pessoas.

Portanto, para quem se encontra em um momento de dúvida, insatisfação ou transição na carreira é necessário voltar-se para si. Passamos ⅓ de nossas vidas trabalhando, muito de você está em jogo no trabalho, não só seus estudos e habilidades, mas o que você é e deseja entregar para o mundo. Investir na carreira realizando somente cursos técnicos/profissionalizantes é abandonar toda essa dimensão que é VOCÊ!

É pelo trabalho que conseguimos gerar valor de maneira mais direta para o mundo (Utilidade) ao expressar nossas capacidades únicas e singulares (Autenticidade).

São esses sentimentos de sermos úteis e autênticos que gera em nós o estado de realização e felicidade no trabalho. Entretanto, se tivermos apenas um desses elementos, Utilidade ou Autenticidade, a conta não fecha. É necessário pensar na utilidade do seu trabalho em sintonia com os seus valores e a ideia de entregar para o mundo aquilo que você considera ser importante para a sociedade.

A autorreflexão, como proposta ao longo desse artigo, pode te ajudar. Caso precise de apoio personalizado, entre em contato, nossa equipe irá lhe atender com seriedade e profissionalismo! Agende agora sua sessão.


Escrito por: Beatriz Zanetti (CRP - 01/19319) - Psicóloga pela Universidade de Brasília e Mestre em Educação para Carreira pela Universidade Livre de Bruxelas. Dedica-se a auxiliar quem vive transições de vida e carreira, na busca por felicidade, presença e equilíbrio, no Brasil ou no exterior. Atendimentos em português e inglês. Maria Luiza Rocha - Graduanda em Psicologia pela Faculdade Cesusc, Bacharel e Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Interessada em pessoas, cultura e sociedade.

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